Muitos praticantes da Wicca e da Bruxaria Moderna conhecem a figura da Deusa Tríplice. Talvez essa seja a imagem mítica mais básica da Tealogia moderna. Entretanto, acredita-se também que elas são elaborações imagéticas totalmente contemporâneas. Mas se não for bem assim?? Pois bem, essa triplicidade de deusa-mãe é bem mais antiga do que se imagina. A interpretação, porém, em "Jovem, Mãe e Anciã" pode ser mais moderna, devido a influência da literatura de Robert Graves. Todavia, a imagem das Mães, Matres ou Matronaes tríplas datam desde o século I E.C. (ou antes), como veremos ao londo deste artigo.
Segundo Miles Clifford, a Grã-Bretanha antiga abrigava um número incalculável de deuses e espíritos, que variavam desde cultos locais britânicos relacionados à água até religiões de mistério orientais com origens sírias.
O culto mais popular em Corinium (ou Corínia) e arredores, na época romana, parece ser o das Matres ou Mães (Corinium foi o assentamento romano-britânico em Cirencester, no atual condado inglês de Gloucestershire). Descobertas arqueológicas em sítios dentro e ao redor de Cirencester (tais como Ashcroft, Watermoor Road e Daglingworth) atestam a existência de um culto local popular, com numerosos relevos, altares e imagens representando as Mães, que geralmente se apresentam em forma tripla (placas esculpidas com figuras de 3 mulheres/deusas).
Os relevos acima, datados do século II ou III d.C., retrata três deusas sentadas, esculpidas em calcário oolítico local. Foram recuperados de um sítio arqueológico em Ashcroft, em 1899. O volume de material recuperado no local parece indicar a presença de um grande santuário ou templo dedicado, pelo menos em parte, às essas Matres. Este potencial templo destaca a importância das deusas-mãe para os habitantes da Corínia romana (Grã-Bretania romana), com um edifício religioso situado no centro cívico da região.
A arqueóloga celtista Miranda Aldhouse-Green afirma que o número 3 é muito importante e simbólico nas mitologias celtas e muitas imagens femininas trinas são encontradas nas regiões onde viviam os povos que hoje os estudiosos chamam de celtas. Nos revelos acima, estão, à esquerda, três deusas-mães portando pães, frutas e cereais, possivelmente representando a colheita e a fartura e, à direita, três deusas-mães, estando a do centro carregando um bebê.
Embora o culto às Matres pareça ter sido particularmente popular e significativo em Corínio (Grã-Bretânia), não se tratava de um fenômeno exclusivamente local. Dedicações e altares às deusas-mãe podem ser encontrados em todas as províncias do norte da Europa do Império romano. Dados arqueológicos indicam que a evidência mais antiga do culto às Matres data do século I d.C., em um sítio na Gália, atual França. Essa evidência parece sugerir que o culto às Matres pode ter sido trazido para a Grã-Bretanha durante a conquista romana de 43 d.C. e popularizado nos séculos seguintes. Entretanto, essa imagem tripla da deusa-mãe foi assimilada pelas populções celtas locais, pois estes já tinham relação de culto com divindades femininas e, por tanto, fizeram associação da imagem da deusa-tripla com uma deusa que já possuíam na sua própria região.
Esse fato pode ser atestado na placa de altar mostrada acima, com a inscrição "Suleviae", também encontrada em Cirencester, junto à imagem das Matres. As deusas-mães podem, então, ter sido amplamente conhecidas por esse nome nessa região. Isso é revelado pelo estudo de evidências epigráficas (baseadas em inscrições), como a placa acima, recuperada no sítio arqueológico de Ashcroft em 1899. Essa inscrição, assim como outras em Bath e arredores, refere-se às Mães como Suleviae, um nome local que indica uma clara conexão com Sulis, uma deusa celta cultuada principalmente em Bath. É provável que as Matres fossem conhecidas por outros nomes locais, em qualquer província romana onde tivessem presença, como na Germânia (Alemanha), onde são comumente chamadas de Matronae ou Matronas.
Este ícone, na imagem acima à esquerda, parece representar a deusa-mãe sentada ao lado dos 'Genii Cucullati' ou espíritos encapuzados, e foi recuperado arqueologicamente em Cirencester em 1964 (Na imagem à direita, uma placa das deusas-mães encapuzadas encontrada no forte romano Housestead - na Muralha de Adriano (Northumberland, Inglaterra)). A função desses espíritos é desconhecida, embora possam ter representado a fertilidade ao lado da deusa-mãe ou oferecido proteção às divinas Matres. Curiosamente, eles aparecem com muita frequência junto às imagens e altares dedicados às Matres em toda a região de Cotswolds, especialmente no possível sítio arqueológico do templo em Cirencester.
Muitos detalhes sobre o Culto das Matres são desconhecidos ou baseiam-se em grande parte em um conjunto fragmentário de evidências arqueológicas. Uma certeza singular em relação ao culto da deusa-mãe é a relação entre a Corínia romana (Grã-Bretania romana) e as deusas-mãe, que talvez representassem uma divindade padroeira para a capital de uma importante província romana.
Segundo Ralph Häussler, elas são geralmente chamadas de "Mães", Matres ou, na Gália Cisalpina e na Renânia (Alemanha), de Matronae. Embora o termo atestado em inscrições latinas seja de origem latina, as placas são encontadas em regiões "celtas" e germânicas (Bretânia-romana, França e Alemanha) e não há equivalentes a "mães" ou "matronas" na religião romana (as Parcas romanas são diferentes). O nome Matres, ou no dativo matribus - "às mães", soa bastante semelhante ao equivalente celta, como as dedicatórias matrebo de Nîmes e Glanum (ambos na França).
Mesmo que essa tríade de deusas-mãe seja difundida nas províncias romanas ocidentais, bem como na Gália Cisalpina, existem obviamente inúmeras variações como na iconografia e, talvez, também na função. Abaixo um exemplo de deusas-mãe (Dea) encontrada em Nethersheim, Alemanha:
Além disso, também obtemos outros nomes:
Suleviae: 'a que guia', é um teônimo celta bem documentado no sul da Gália na época romana. Este pode ser um sobrenome que representa uma das funções das deusas-mãe.
Proxumae: "deusas da proximidades", que parecem ser semelhantes às deusas-mãe (encontadas em Nîmes).
Iunones: no sul da Gália, as Iunones parecem ser equivalentes às deusas-mãe. Na pedra abaixo à direita, refere-se a uma tríade para Juno, semelhante as Matres.
Parcae: entalhe das "Parcas" encontrada em Nîmes (pedra abaixo à esquerda), que parecer ser uma interpretatio romana das deusas-mães triplas.
Uma interessante representação das deusas-mães/matres foi descoberta em Vasio (Vaison-la-Romaine, França) (imagem abaixo). Vemos a imagem típica das três mães, sentadas, carregando uma cesta de frutas no colo. Mas desta vez, elas estão sentadas em um pódio, em uma estrutura semelhante a um templo, do tamanho de um larário (altar doméstico). A parte de trás também é decorada com motivos vegetais.
A imagem da Deusa Tríplice é, então, a sobrevivência de uma memória muito profunda dessas Matronas tríplas de séculos atrás. Hoje a chamamos Jovem, Mãe e Anciã, numa reinterpretação mítica e imagética atual, derivada de novos movimentos artísticos e referente às necessidades da contemporaneidade. Agora, elas são equiparadas as estações e a Roda do Ano agrária. Inclusive, esse movimento de reinterpretação é característico da Tealogia moderna. Mantendo-se, assim, viva a memória e a força da deusa secular "Matre tripla". Senhora da fartura, da vida e da bonança ))0((.
Texto de Lídia Valle~~
Mestra e Doutoranda em Ciências das Religiões, pela UEPA e UFPB - PPGCR, respectivamente.
Referências Bibliográficas:
Site do Museu Corinium: https://coriniummuseum.org/2019/08/mother-goddesses/
Miles Clifford é um estudante de graduação em Arqueologia na Universidade de Southampton e tem visitado a coleção do Museu Corinium como pesquisador para sua dissertação, que avalia o poder político e a influência dos cultos locais.
Site de Ralph Häussler: https://ralphhaussler.weebly.com/mother-goddesses.html
ALDHOUSE-GREEN, Miranda. Os mitos celtas - um guia para deuses e lendas antigas. Tradução Caesar Souza. Petrópolis, RJ: Vozes, 2022.
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sexta-feira, 21 de novembro de 2025
terça-feira, 21 de julho de 2015
Todas as Deusas são Uma!?
Vamos começar com um texto simples, que me veio de inspiração por esses dias!!
Baseado em algumas referências que li (a exemplo, Raven Grimassi), tirei essa conclusão a partir de meus "delírios filosóficos" (como Lascariz gosta de chamar alguns insights de G.Gardner rsrsrs)
~~Cada Deusa (divindade), de cada panteão, tem sua personalidade própria, suas características únicas, suas correspondências (cores, aromas, velas, incensos, ervas) e sua história mitológica única também...Até porque elas são reflexo das características do respectivo povo que as cultuaram...É como se a característica dessa cultura "filtrasse" essa face (fração) da divindade que melhor lhe representava.
Porém tudo se integra no cosmo como uma única energia, que é composta desses infinitos arquétipos, cada qual com infinitos atributos...
É análoga a ideia de Unidade das filosofias orientais...Cada um de nós, somos uma persona, que ocupa um lugar no espaço, com uma mente, um espírito, uma identidade e uma personalidade...Mas em contrapartida, somos todos UM só na Teia do Universo, sem distinção!
Somos a mesma matéria (energia) em extensão, onde o micro (quântico) não enxerga fronteiras entre o que é uma partícula de uma cadeira e uma de você!... É um exercício mental pensar dessa forma, onde todos somos Um!..O mesmo ocorre com a Deusa (os Deuses), na visão Wiccaniana, e ao meu ver também.
(Grande Deusa; Deusa da Lua e Mãe Terra; Senhora de todo Cosmo)
Na própria mitologia de cada povo, se vê traços arquetípicos equivalentes...Como se eles (povos), mesmo sem contato, tenham tido experiências parecidas (análogas) ao se conectar com o Divino...Pois se baseavam na observação da Natureza e seus ciclos, então, é explicável!...E os ritos de passagem humanos também são análogos, todos passamos pelos processos de nascimento, desenvolvimento, descoberta, morte, etc...
É comum se vê, nos vários panteões, uma Deusa do amor, Deusas mães, Deuses de guerra, Deuses ligados aos elementos, Criadores (mães/pais) primordiais, a Saga do Herói, Disputas de Gerações, etc etc etc...
(Fonte da imagem: Superinteressante)
E as paridades não param por aí... Podemos ver também, como traços comuns, um Deus(a) ligado à colheita/caça que morre (ou ceifa) e vai para o submundo na época do inverno (como Cernunnos; Lugh; Tammuz; Mabon; Osíris, etc); uma Deusa que faz a descida até o submundo para encontrá-lo e/ou peregrina para resgatá-lo (Ishtar; Inanna; Madron; Ísis, entre outras); ou resgatar uma filha, no caso de Deméter que exige a volta de Perséfone do submundo...Deuses solares que sempre renascem no solstício de inverno como a promessa do retorno da primavera (como Hórus, Atis, Adonis, Hélios, Apolo, Dionísio, Mitra, Balder, etc)...Entre outras narrativas mitológicas.
Esses são insights mágicos, como chamamos, para os wiccanianos detectarem (e delinearem) as características mais acentuadas dos arquétipos Divinos, masculinos e/ou femininos, do Universo...É como se fosse um trabalho de "detetive" para conectar as "pistas" que os povos antigos nos deixaram pra encontrar o Sagrado!...Trabalho esse começado (ou desenvolvido com maior perspicácia e ênfase) por nomes como Margaret Murray, Gerald Gardner (ainda com influências de Aleister Crowley), Doreen Valiente, e seus contemporâneos e sucessores.
Mas cada narrativa mitológica traz sua carga própria, como já dito, totalmente ligado aos arquétipos levantados por aquele povo que os cultuou...A exemplo de Deusas do Amor: a narrativa de Ishtar, de Afrodite e de Oxum, por exemplo, são diferentes nas suas buscas e/ou encontro desse Amor...Logo fazer uma magia/[conexão com a energia do Amor] se dará de formas diferentes com cada uma dessas Deusas...É como dizemos, o Amor de Afrodite não é o mesmo de Oxum, que por sua vez não é o mesmo de Ishtar, e assim por diante...
É preciso, porém, se ter bastante propriedade do Mito daquela determinada divindade, e de suas respectivas correspondências também, para se ter acesso seguro àquela energia (arquétipo) com a qual você pretende se conectar...
(Deusas do Amor: Afrodite; Oxum; Parvati; Freya; Ísis)
Outro motivo para se entender as várias faces das divindades está no fato de a própria experiência humana com essas energias (no exemplo que estou usando, a vivência do Amor) nunca se dá da mesma maneira, nem para as mais variadas pessoas, nem para as várias situações...Daí a ideia da Manifestação da Deusa de várias formas, é como se ela tivesse se apresentado de uma forma diferente a cada cultura que a buscou, e cada narrativa mítica traz sua sabedoria própria!...Por isso a sabedoria de cada panteão "complementa" a sabedoria de outro, ao nosso ver...Ainda mais na nossa experiência de vida hoje, pós-moderna, tão múltipla e diversificada, a consulta aos vários panteões se mostram bem oportuna e enriquecedora!
Dizer, porém, que todas as Deusas são uma só (e todos os Deuses são um só; e a Deusa e o Deus juntos formam o UNO) não torna nenhum pouco simplório o estudo árduo e detalhado que fazemos (não só em leitura, também em conexão mágica) dos vários panteões e de cada arquétipo/divindade de cada panteão distinto... Justamente na tentativa de compreender essa diferente manifestação do Sagrado, essa imensidão de conhecimento e infinitas facetas do Divino e, consequentemente, como ocorre essa integração entre elas!
(Grande Mãe; Deusa tecelã; Senhora do Destino e do Cosmo)
Iemanjá será sempre Iemanjá, Ares será sempre Ares, Marduk será sempre Marduk, Gaia será sempre Gaia, e etc...Pois, assim como tudo é formado por 3 partículas atômicas básicas: prótons, nêutrons e elétrons, que se repetem em toda e qualquer estrutura de matéria, suas MANIFESTAÇÕES na Teia (e plano físico) são sempre (e extremamente) distintas...Madeira sempre será madeira, ferro sempre será ferro, pele humana sempre será pele humana, porém, há uma identidade de formação/estrutura (invisível aos nossos olhos) que as unem em um único tipo de matéria atômica e energia....Assim somos nós; assim são os Deuses; assim é a Deusa!~~
Lilith Aleen Lenora! ))o((
#Deusa #GrandeMãe #GrandeDeusa #Tecelã #DeusaTecelã #SenhoraDoDestino #TodasAsDeusasSãoUma
Baseado em algumas referências que li (a exemplo, Raven Grimassi), tirei essa conclusão a partir de meus "delírios filosóficos" (como Lascariz gosta de chamar alguns insights de G.Gardner rsrsrs)
~~Cada Deusa (divindade), de cada panteão, tem sua personalidade própria, suas características únicas, suas correspondências (cores, aromas, velas, incensos, ervas) e sua história mitológica única também...Até porque elas são reflexo das características do respectivo povo que as cultuaram...É como se a característica dessa cultura "filtrasse" essa face (fração) da divindade que melhor lhe representava.
Porém tudo se integra no cosmo como uma única energia, que é composta desses infinitos arquétipos, cada qual com infinitos atributos...
É análoga a ideia de Unidade das filosofias orientais...Cada um de nós, somos uma persona, que ocupa um lugar no espaço, com uma mente, um espírito, uma identidade e uma personalidade...Mas em contrapartida, somos todos UM só na Teia do Universo, sem distinção!
Somos a mesma matéria (energia) em extensão, onde o micro (quântico) não enxerga fronteiras entre o que é uma partícula de uma cadeira e uma de você!... É um exercício mental pensar dessa forma, onde todos somos Um!..O mesmo ocorre com a Deusa (os Deuses), na visão Wiccaniana, e ao meu ver também.
(Grande Deusa; Deusa da Lua e Mãe Terra; Senhora de todo Cosmo)
Na própria mitologia de cada povo, se vê traços arquetípicos equivalentes...Como se eles (povos), mesmo sem contato, tenham tido experiências parecidas (análogas) ao se conectar com o Divino...Pois se baseavam na observação da Natureza e seus ciclos, então, é explicável!...E os ritos de passagem humanos também são análogos, todos passamos pelos processos de nascimento, desenvolvimento, descoberta, morte, etc...
É comum se vê, nos vários panteões, uma Deusa do amor, Deusas mães, Deuses de guerra, Deuses ligados aos elementos, Criadores (mães/pais) primordiais, a Saga do Herói, Disputas de Gerações, etc etc etc...
(Fonte da imagem: Superinteressante)
E as paridades não param por aí... Podemos ver também, como traços comuns, um Deus(a) ligado à colheita/caça que morre (ou ceifa) e vai para o submundo na época do inverno (como Cernunnos; Lugh; Tammuz; Mabon; Osíris, etc); uma Deusa que faz a descida até o submundo para encontrá-lo e/ou peregrina para resgatá-lo (Ishtar; Inanna; Madron; Ísis, entre outras); ou resgatar uma filha, no caso de Deméter que exige a volta de Perséfone do submundo...Deuses solares que sempre renascem no solstício de inverno como a promessa do retorno da primavera (como Hórus, Atis, Adonis, Hélios, Apolo, Dionísio, Mitra, Balder, etc)...Entre outras narrativas mitológicas.
Esses são insights mágicos, como chamamos, para os wiccanianos detectarem (e delinearem) as características mais acentuadas dos arquétipos Divinos, masculinos e/ou femininos, do Universo...É como se fosse um trabalho de "detetive" para conectar as "pistas" que os povos antigos nos deixaram pra encontrar o Sagrado!...Trabalho esse começado (ou desenvolvido com maior perspicácia e ênfase) por nomes como Margaret Murray, Gerald Gardner (ainda com influências de Aleister Crowley), Doreen Valiente, e seus contemporâneos e sucessores.
Mas cada narrativa mitológica traz sua carga própria, como já dito, totalmente ligado aos arquétipos levantados por aquele povo que os cultuou...A exemplo de Deusas do Amor: a narrativa de Ishtar, de Afrodite e de Oxum, por exemplo, são diferentes nas suas buscas e/ou encontro desse Amor...Logo fazer uma magia/[conexão com a energia do Amor] se dará de formas diferentes com cada uma dessas Deusas...É como dizemos, o Amor de Afrodite não é o mesmo de Oxum, que por sua vez não é o mesmo de Ishtar, e assim por diante...
É preciso, porém, se ter bastante propriedade do Mito daquela determinada divindade, e de suas respectivas correspondências também, para se ter acesso seguro àquela energia (arquétipo) com a qual você pretende se conectar...
(Deusas do Amor: Afrodite; Oxum; Parvati; Freya; Ísis)
Outro motivo para se entender as várias faces das divindades está no fato de a própria experiência humana com essas energias (no exemplo que estou usando, a vivência do Amor) nunca se dá da mesma maneira, nem para as mais variadas pessoas, nem para as várias situações...Daí a ideia da Manifestação da Deusa de várias formas, é como se ela tivesse se apresentado de uma forma diferente a cada cultura que a buscou, e cada narrativa mítica traz sua sabedoria própria!...Por isso a sabedoria de cada panteão "complementa" a sabedoria de outro, ao nosso ver...Ainda mais na nossa experiência de vida hoje, pós-moderna, tão múltipla e diversificada, a consulta aos vários panteões se mostram bem oportuna e enriquecedora!
Dizer, porém, que todas as Deusas são uma só (e todos os Deuses são um só; e a Deusa e o Deus juntos formam o UNO) não torna nenhum pouco simplório o estudo árduo e detalhado que fazemos (não só em leitura, também em conexão mágica) dos vários panteões e de cada arquétipo/divindade de cada panteão distinto... Justamente na tentativa de compreender essa diferente manifestação do Sagrado, essa imensidão de conhecimento e infinitas facetas do Divino e, consequentemente, como ocorre essa integração entre elas!
(Grande Mãe; Deusa tecelã; Senhora do Destino e do Cosmo)
Iemanjá será sempre Iemanjá, Ares será sempre Ares, Marduk será sempre Marduk, Gaia será sempre Gaia, e etc...Pois, assim como tudo é formado por 3 partículas atômicas básicas: prótons, nêutrons e elétrons, que se repetem em toda e qualquer estrutura de matéria, suas MANIFESTAÇÕES na Teia (e plano físico) são sempre (e extremamente) distintas...Madeira sempre será madeira, ferro sempre será ferro, pele humana sempre será pele humana, porém, há uma identidade de formação/estrutura (invisível aos nossos olhos) que as unem em um único tipo de matéria atômica e energia....Assim somos nós; assim são os Deuses; assim é a Deusa!~~
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Deusa tríplice ))0(( - origens & reinterpretações
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Eu já vinha pensando em fazer uma série, aqui no blog, de textos específicos sobre as principais autoras da Tealogia e, hoje, decidi começar...
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O termo Tealogia trata-se de um neologismo , que vem do grego Thea = Deusa e Logia = estudo, razão, princípios . Sendo assim, Tealogia pode ...










